sexta-feira, 11 de maio de 2012

Na Praça


       Estava entardecendo quando fui pra praça, sentei-me em um banco gelado, acendi o cigarro e desejei que o dia acabasse logo, foi complicado perder o emprego, depois que sai da casa de meus pais tudo foi difícil, não parece tão complicado quando se tem comida na mesa e roupa lavada, mas os problemas e cobranças também me consumiam, estava na hora de virar homem e pagar minhas próprias contas, fiquei sentado sozinho ali por mais alguns minutos, o sol estava baixando e o lugar esvaziando teria tempo pra por a cabeça no lugar, foi quando uma garota se sentou ao meu lado.
      Eu lhe lancei um olhar desaprovador, por que essa indigente não sentou-se em outro banco com tantos vazios? Foi visível que ela havia percebido mais por incrível que pareça não se incomodou abriu um livro e o qual realmente parecia estar lendo, mas eu queria solidão, então dei uma boa tragada e soprei a fumaça em sua direção queria ver ela manter-se ali depois dessa.
      Ela abanou-se e murmurou alguma coisa consigo mesma, mas se manteve ali, mas que impertinência pensei, eu ia mudar de lugar “era o jeito”, droga mais e meu orgulho onde fica? Eu tinha chegado primeiro não tinha? Ok, o banco não era meu, mas e a educação? Ela me olhou nesse momento e sorriu por mais estranho que a situação fosse ela ainda estava ali e sorrindo? Porque ela estava sorrindo? Depois de um dia terrível ainda aparece alguém para debochar de mim? “Que ótimo”, ela mudou de posição estava de costas para mim agora, fiquei com raiva de mim por querer saber o que ela estava fazendo, momentos depois ela volto ao normal, tampou a uma caneta pegou suas coisas e se sentou no banco á minha frente.
     Finalmente eu pensei, acabei o cigarro o joguei no chão e pisei em cima automaticamente, quando voltei a olhar para ela, ela encarava o meu lado do banco, que garota bisara, tentei disfarçar antes de olhar, percebi então um papel ali, nossa que criativo, da onde veio tanta loucura? O que ela queria afinal? Era pra mim ou ela simplesmente esperava que fosse levar pra ela? Há eu não ia dar a ela esse gostinho, decidi ignorá-la. Há mas que droga eu estava louco para pegar o papel, foram longos os minutos seguintes, mas pelos motivos errados, eu deveria estar desesperado ou ate mesmo enfurecido por meus problemas, mas não, eu só estava “curioso”, quem era ela? O que queria? Eu fui muito grosso? Eu ate tentava disfarçar, mas eu estava sem muito sucesso, afinal ela sempre estava olhando pra mim.
     Mais alguns minutos passaram ate ela ir embora, como se minha vida dependesse daqui peguei o papel assim que ela sumiu, ele dizia:

“- Oi,  estou te incomodado né? Eu sei as vezes é bom ficar sozinho, mas é ainda melhor conversar com alguém diferente, nos faz parar de pensar nos problemas, eu ia falar com você mas parecia irritado, se foi por minha causa me desculpe só queria lhe fazer companhia, é ruim ficar só quando mais se precisa de alguém, bom se mudar de idéia e quiser conversar estou na sua frente, ou me liga eu, bem eu ia gostar de saber o que pode ter deixado uma cara tão bonito com essa carranca feia.”
   
   Ótimo a única pessoa que decide me ajudar eu desprezo, mas nem tudo estava perdido o numero dela estava ali, deu deveria-me desculpa não é? Afinal joguei nicotina na cara da menina! Droga ela já me acha um idiota. Eu levante na esperança de achá-la por onde havia sumido, mas nada, nada dela, mas achei algo que me tirou um sorriso, outro bilhete no banco da frente, o qual dizia:

  "-Eu sei que não iria ler enquanto eu estivesse por perto, mas agora que já leu por que não olha pra traz?"       -NatieliMz


PS.:Me perdoem a falta de imaginação, sei que ficou sem final, mas já não sabia como acaba-lo. 

domingo, 22 de abril de 2012

No ponto


Ele sentou-se ao meu lado esbanjando simpatia…
-Por que não me diz qual é o problema?
Constrangida com a pergunta e ainda mais por estar ali, disse:
-Problema? O que quer dizer?
-Você, me evita por completo, se afasta sempre que chego, não fala quando estou por perto, acho que se pudesse já teria me atravessado e saído correndo, sou eu? Cheiro mal? Alguém lhe disse coisas ruim a meu respeito? Ou simplesmente não gosta de mim?
-Não, eu…
Não me vinham palavras para dizer porque o evitava, paralisei-me diante de seu olhos pretos, profundamente aguardando minha resposta.  
-Desculpe eu só queria entender.
Ele gesticulou demonstrando que ira se retirar, crendo que me incomodará. 
-Não, me desculpe, eu fico ainda mais submissa perto de pessoas que me despertão intertece.
Admiti, corando automaticamente. 
-Isso é um alivio, tive medo, por um momento achei que deveria desistir.
-Desistir?
Aquilo soava muito mais do que eu esperava, mas não queria eu ser vitima de uma piada matinal em meio a tantos conhecidos, então exitei em insistir.
-É, seria difícil para mim me conformar com seu depresso, nem tanto pela vergonha talvez, talvez mais por ser seu.
Ele parecia estar confessando algo que o consumia, e ao mesmo tempo contra sua vontade, como se eu o estivesse obrigando-o a falar, me cérebro oscilava tanta informação, perdidamente não saia nada de minha boca, mas meus olhos me entregará.
-Espero conseguir.
Eu me toquei que havia deixado-o falando sozinho, minhas respostas vinham retardadamente como se eu demorasse para processar palavras tão simples.
-Estou confusa.
Me pareceu o mais prudente a dizer. 
-Não se preocupe, você acabou com meus temores, agora tudo será mais natural, farei o possível para não te deixar mais assim, prometo ser menos brusco da próxima vez.
Se havia alguma duvida de que ele teria notado minhas mãos tremendo constantemente acabará ali, sua cautela na escolha de palavras me tranquilizava, eu já não temia ser apenas um alvo de chacotas, suas palavras mesmo leves passavam uma verdade fluente, “eu desisti ali”, desisti de afasta-lo de mim.
-Vamos descer? Vem nossa parada.
Ele parecia muito mais calmo do que no momento em que sentará ao meu lado, parecia mais feliz talvez, peguei sua mão que estava estendida para mim, e foi apenas quando o toquei que percebi, suas mãos tremiam tanto quanto as minhas, porém naquele instante foi quando me senti mais segura.
-Vamos!
Afirmei sorridente, e foi assim que chegamos de mãos dadas pela primeira vez na escola. NatieliMz

sábado, 21 de abril de 2012

Não entendem

-Por que não esta mais com ele?
-Ele é um idiota, acho que foi melhor assim.
-Achei que você gostava do idiota.
-Eu percebi que quem sairia perdendo era ele.
-E ele será que já percebeu?
-Já sim, antes de completa uma semana ele já estava me ligando para dizer isso.
-E o que você fez?
-Nada, concordei quando ele disse que foi um idiota.
-Há cala boca, tá na cara que você ainda gosta dele.
-Eu gosto, mas isso é preciso para ver se “ele” gosta de mim.
-O que espera que ele faça, vá na sua casa com flores, bombons e um cartaz pedindo desculpas ajoelhado?
-Não, bastaria ele vir, se eu o visse já perderia o controle.
-Ele ainda não veio atraz de você?
-Não, os homens acham que quando pedimos para eles sumirem é verdade, se sabe né, eles acreditam que acabo, não entendem que só queremos saber se somos importantes, desistem logo, tem muitas mais fáceis .
-Ele é um idiota.
-Todos são.                                                          NatieliMz

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fim de noite.

      Era fim de noite, uma noite entre amigos, rapazes, a noite de Lucas, o solteiro, bonito, sedutor e cobiçado, chegou na balada abrindo caminhos na multidão, aquelas garotas, pobres garotas que não teriam escolha se ele as escolhesse, era inevitável, impossível, e até burrice deixá-lo passar, todas se engalfinhavam pela sua atenção, quem não queria passar a noite nos braços firmes dele? No decorrer da madrugada, varias daquelas ele beijou, em umas das suas idas ao banheiro para despistar uma das qual já havia enjoado, esbarrou em uma menina, e todo aquele copo de vodka também, ela mais surpreendida ainda logo se pois a desculpar-se: 
      -Oh me perdoe, ela dizia com a voz mais linda que ele já ouvira, com os olhos pela primeira vez naquela noite realmente no rosto de uma menina ele sorriu, e abobou-se com sua doçura estampada, ela por sua vez desviou o olhar imaginando ser repreendida por tal desastre em sua roupa, a qual ela não pode deixar de notar que o deixo ainda mais atraente todo molhado.
     -Oh me desculpe você, disse ele, com uma voz tão doce que surpreendeu até á sí mesmo, perplexo com todo o seu pensar em tão breves segundos ele decidiu que a queria naquele momento.
     -Me deixe pagar outra bebida, por favor? Ele disse ainda um pouco abalado com o momento.
     -Não, a culpa foi minha e bem eu já estava mesmo indo embora, obrigada.
      Por mais um estante ele manteve os olhos nela como se pudesse guardar na memória todos os detalhes de seu rosto, ela sorriu mais uma vez e se virou, ele voltou a seguir seu caminho, um pouco assustado por ter se intimidado com aquela garota, ela era só mais uma afinal de contas, “oh meus deus eu não sei o nome dela”, ele pensou em voz alta enquanto se punha ao lado de um do seus amigos.
     -Nome de quem? O outro perguntou, e “ninguém” foi a resposta que ele obteve, o restante da noite foi perfeita, o tipo de noite que qualquer homem adoraria, mulheres lindas, bebidas geladas, música boa e companhia dos amigos.
      Lucas como o bom conquistador que é perdeu as contas de quantas “conheceu” naquela noite, seus amigos o admiravam, as garotas o idolatravam e ele era o rei do pedaço, mais para ele o fim daquela noite foi diferente, ele sempre ao deitar-se como qualquer pessoa, pensou um pouco antes de pega no sono, ele por sua vez pensava em cada beijo que deu, cada corpo que percorreu, cada menina que conheceu, mas aquela noite isso não aconteceu, apenas a doce menina que o fez cheirar a vodka barata parecia estar presa ali, em um pedaço de lembrança, e assim ele foi até o sol raiar,  juntou grão a grão sua fisionomia que no mínimo era semelhante a muitas, seu cheiro, oh o cheiro, mesmo em meio a todo aquele odor de bebida e cigarros ele recordava do seu cheiro, estaria ele ali inalado em si mesmo? Impossível pensou depois de algum tempo anestesiado pela lembrança, muito se passou até adormecer com o som da doce voz em seu subconsciente.   
     E esta foi à primeira das noites em que ele sentiu o que fazia todas as outras sentirem por ele.  NatieliMz


Ps.: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 

sábado, 14 de abril de 2012

Conto real.

       Isso de conto de fadas é tão clichê da Disney que já começam com “era uma vez”, mostrando cruelmente que “felizes para sempre” não existe mais, que é passado, e que seu príncipe encantado virou sapo.
       Seria uma forma boa de abrir os olhos apaixonados, daqueles idiotas lesados que se entregam ao amor, isso se não estivessem tão envolvidos com a parte do “para sempre”, fabulosas as historias não são?
       Elas vão de reinos á povoados, de reis consagrados á pobres coitados, mas ninguém se preocupa com o porquê desde que acabe bem.
       Mas por que a fada madrinha deu a ela apenas até a meia noite?  Por que a Rapunzel estava numa torre e não em um porão? Por que eram 7 anões e nem uma anã? E a bela adormecida? Se comentário sobre sua destreza para costurar. E como assim tiraram a vovozinha inteira de dentro do lobo? Que espécie de lobo era essa? O Jacob?  
       Você não se importa com a historia desde que ela termine em um clichê de ilusão. Por que mesmo contamos isso as crianças? Bom ao menos elas têm uma lição de moral não é mesmo? Como nunca sair depois da meia noite, ou morar com 7 homens e também tentar não ser engolido por um lobo, opa acho que não é isso. Por que iludir inocentes com um final feliz que não acontece? Irônico até mesmo dizer que é um final feliz, por que ninguém quer ser feliz apenas no final, e bem se é o fim de que adianta se feliz se já vai acabar? Mas ai estão as historias da Disney para fuder com sua misera noção de realidade.
      Enxergue que é melhor ser feliz agora com um sapo do que nunca com um príncipe.   NatieliMz

sábado, 7 de abril de 2012

Tempo, tempo, tempo.

     Eu gosto do passado mesmo sabendo que ele não volta, é errado eu sei, mas nele as lembranças não mudam mesmo que as pessoas tenham mudado, o que é ótimo para quem gosta de se iludir feito eu, a vida as vezes é tão sem graça, e são essas mesmas lembranças que fazem parecer que o presente vale a pena e que tudo pode acontecer, aquele primeiro beijo roubado, o que te tirou os pés do chão, ou ate mesmo o ultimo que querias tu ter revivido, não importa se foi a primeira transa, da mais selvagem a mais romântica, a aquele momento em que você sentiu borboletas no estomago, ou aquele calafrio ao vê-lo com outra, lembrança é lembrança, faça bem ou faça mal ela não muda, diferente das pessoas, que vão daquelas que diziam que te amavam e hoje nem lembram seu nome, das poucas que ti viram chorar aqueles que hoje choram em teu ombro, dos que te abraçavam apertado mas na verdade queria apenas te esganar. 
    O passado te ensina o que o futuro ti pede e o presente te obriga a saber, se foi ruim já passo, mas se foi bom você pode reviver todas as vezes em que fechar os olhos, não se engane com a frase “o tempo apaga tudo”, isso é clichê, é mentira, o tempo só tira o problema do alvo e ti mostra que não é assim tão vital, o problema de muitos não é o passado, por que quem não aprende refaz no presente e fará no futuro, não apague sua vida por erros corrigíveis ou por pessoas que já ti fizeram bem, lembre-se das coisas boas e aprenda com as ruim, viva a vida um momento de cada vez sem esquecer dos momentos passados, menos ainda dos que por um sorriso foi marcado, boa sorte futuro. NatieliMz

sexta-feira, 23 de março de 2012

Alguém assim.


       Queria alguém que se lembrasse de mim assim que seus olhos abrissem e me fizesse seu último pensamento ao adormecer, alguém que me visse em sua mente a todo som da palavra "ela", que sempre esperasse mais de mim ou invés de menos, alguém que sentisse borboletas no estomago toda vez que escutasse meu nome, que visse beleza em mim até ao amanhecer, que fizesse de mim o motivo de seus sorrisos bobos, que fizesse da minha realidade um conto de fadas, alguém que não fosse embora, alguém para quem eu pudesse contar meus segredos e meus medos sem que fosse parte deles, alguém que torcesse pelo mesmo time de meu pai e adorasse a comida de minha mãe, alguém que tirasse meus pés do chão mesmo que por segundos, alguém que me amasse, que não fosse mentira e que me contasse. Alguém que existisse. NatieliMz